terça-feira, 17 de março de 2009

Compar-trilhar... Nascemos para cooperar

A ciência mostra que somos seres compassivos, capazes de sentir a dor do outro. Esta dor alheia nos afeta e incomoda a ponto de alguma força em nosso interior pedir que façamos algo para minimizá-la ou mesmo interrompê-la, restaurando o equilíbrio anterior, em um estado de bem estar. Este mecanismo tem por finalidade o cuidado mútuo essencial à sobrevivência de nossa espécie. Também temos os neurônios espelhos que são mecanismos biológicos que nos auxiliam a empatizar com o outro. Eles reproduzem em nosso cérebro o que se passa no cérebro de outra pessoa a partir de informações que obtemos, principalmente através das expressões corporais e fisionômicas. Nosso cérebro pode reproduzir o sentimento de dor e tristeza de uma pessoa que perdeu um ente querido, assim como o êxtase de dois namorados em seu primeiro beijo. Este dispositivo, aprimorado através de milhões de anos, feito para garantir nossa sobrevivência, começou a ser cultural e socialmente impedido de operar em sua plena função. A razão é simples. Uma das funções mais básicas deste sistema, é impedir que exista agressão e violência entre os membros de nossa espécie, que em última instância, nos impedisse de matar semelhante.
Possuímos também a potencialidade para competir, subjugar, explorar, humilhar e mesmo matar. Em todos estes processos, diminuímos gradativamente nossa capacidade de empatizarmos com o sentimento do outro. O nazismo associou a figura do judeu ao rato para que as pessoas comuns pudessem desenvolver um sentimento de nojo e repulsa pelo que representavam. Assim, quando eram presos, humilhados, separados de suas famílias, privados de alimentos até definharem como esqueletos ambulantes e mesmo mortos nas câmaras de gás e depois queimados, eram vistos como meros ratos. Aquelas pessoas que não limitaram sua capacidade de empatia, foram as que se puseram a ajudar, e foram muitas. Na época da escravidão negra, os escravos não eram considerados como humanos. No sistema de castas indiana, da qual há registro de mais de 6.400 diferentes castas, podemos destacar em uma ponta os Brâmanes, religiosos e nobres, e na outra ponta os Haridchans, ou Dalits, conhecidos como intocáveis, por serem impuros, visto não terem nascido do Deus Brahma. Somente em outra encarnação poderão nascer em outra casta.
Assim, criamos sistemas para burlar o mecanismo natural da empatia e da compaixão.
Nas organizações, também temos sistemas rígidos de castas, e é praticamente impossível um “peão de fábrica” chegar a diretoria. O acesso a cultura e informação é limitado e o sistema realimenta um claro sistema de dominação. A questão que se coloca é: -como implantar uma filosofia de trabalho cooperativo onde as pessoas se reconheçam como iguais e interdependentes?
Trata-se de um processo a ser implantado que depende de muita atitude, paciência, e disciplina.
Acredite, nascemos para cooperar e os grandes líderes do mundo estão conscientes disto. Somente juntos poderemos encontrar uma saída para que possamos assegurar condições para a vida humana no planeta. Muitos paradigmas terão que ser substituídos. Será um grande trabalho que se estenderá por algumas gerações. Em nossas organizações, o processo pode ser muito mais rápido e também acelerará o processo global.
A questão neste instante é o que você pode fazer para conectar-se empaticamente com outras pessoas. A liderança educadora depende em larga escala desta capacidade de sentir as pessoas enquanto seres humanos e não simplesmente instrumentos a serviço de um determinado fim.
Inicie em sua organização mais íntima, sua família.

Boa semana,
Luciano Lannes

Recebido por e-mail da Lannes Consulting [http://www.lslannes.com.br]

Estórias...

Adversidades - Ela era uma garota que vivia a se queixar da vida. Tudo lhe parecia difícil e se dizia cansada de lutar e combater. Seu pai...

que era um excelente cozinheiro, a convidou, certo dia, para uma experiência na cozinha.
Tomou três panelas, encheu-as com água e colocou cenouras em uma, ovos em outra e pó de café na terceira.
Deixou que tudo fervesse, sem nada dizer. A moça suspirou longamente, imaginando o que é que seu pai estava fazendo com toda aquela encenação.
Depois de tudo fervido, o pai colocou as cenouras e os ovos em uma tigela e o café em outra.
O que você está vendo?, perguntou.
Cenouras, ovos e café, respondeu ela.
Ele a trouxe mais perto e pediu-lhe para experimentar as cenouras. Ela notou como as cenouras estavam macias.
Tomando um dos ovos, quebrou a casca e percebeu que estava duro. Provando um gole de café, a garota sentiu o sabor delicioso. Voltou-se para o pai, sorriu e indagou: O que significa tudo isto, papai?
É simples, minha filha. As cenouras, os ovos e o café ao enfrentarem a mesma adversidade, a água fervendo, reagiram de formas diferentes.
A cenoura entrou na água firme e inflexível. Ao ser submetida à fervura, amoleceu e se tornou frágil. O ovo era frágil. A casca fina protegia o líquido interior. Com a água fervendo, se tornou duro. O pó de café, por sua vez, é incomparável. Colocado na água fervente, ele mudou a água.
Voltando-se para a filha, perguntou o homem experiente:
Como é você, minha filha? Quando a adversidade bate à sua porta, você reage como a cenoura, o ovo ou o café?
Você é uma pessoa forte e decidida que, com a dor e as dificuldades se torna frágil, vulnerável, sem forças? Ou você é como o ovo? Delicada, maleável, casca fina, que, com facilidade se rompe. Ao receber as notícias do desemprego, de uma falência, da morte de um ser querido, do divórcio, se torna dura, inflexível?
Quanto mais sofre, mais obstinada fica, mais amarga se torna, encerrada em si mesma? Ou você é como o café, que muda a água fervente, motivo da dor, para conseguir o máximo de seu sabor, a cem graus centígrados?
Quanto mais quente a água mais gostoso se torna o café, deliciando as pessoas com o seu aroma e sabor.
Se você é como o pó de café, quando as coisas vão ficando piores, você se torna melhor e faz com que as coisas em torno de você também se tornem melhores.
A dor, em você, tem o condão de a tornar mais doce, gentil, com mais capacidade de entender a dor alheia.
Afinal de contas, minha filha, como é que você enfrenta a adversidade.


Estória enviada por Ana Paula Peron
Fonte: http://www.lslannes.com.br/index.php?p=biblioteca